Como calcular turnover: fórmula e exemplo passo a passo
As duas fórmulas de turnover, um exemplo numérico completo e os erros de cálculo que distorcem o índice da sua empresa.
A resposta curta é esta. A fórmula mais usada no Brasil calcula o turnover assim: some as admissões com os desligamentos do período, divida por 2, divida o resultado pelo efetivo médio e multiplique por 100. A segunda fórmula, usada em boa parte do mundo, é mais simples: divida só os desligamentos pelo efetivo médio e multiplique por 100.
As duas estão certas. Elas medem coisas diferentes. A primeira mede o giro total do quadro, ou seja, quanta movimentação a sua operação teve que absorver. A segunda mede perda de gente, que é o que dói no caixa, na produtividade e na qualidade do atendimento. Empresa em crescimento que contrata muito vai ver um número inflado na primeira fórmula sem ter problema nenhum de retenção.
Abaixo estão as duas contas explicadas, um exemplo numérico completo, o jeito certo de calcular o efetivo médio, como transformar o índice mensal em anual e os erros que mais distorcem o resultado. Se você ainda está no básico, leia antes o que é turnover e por que ele existe.
As duas fórmulas de turnover mais usadas
Fórmula 1: média entre admissões e desligamentos
Turnover (%) = [(admissões + desligamentos) ÷ 2] ÷ efetivo médio × 100
Essa é a fórmula que a maior parte dos RHs brasileiros aprendeu. Ela nasceu da ideia de medir movimentação de pessoal, não perda. Faz sentido quando o seu quadro está estável e você quer saber o volume de entrada e saída que a operação teve que digerir: seleção, integração, treinamento, crachá, uniforme, exame, rescisão.
O ponto fraco aparece quando a empresa cresce. Se você abriu uma loja e contratou 40 pessoas sem perder ninguém, o índice sobe. Isso não é rotatividade, é expansão. O mesmo acontece ao contrário: em corte de quadro, a fórmula da média suaviza o número e esconde o tamanho da perda.
Fórmula 2: só desligamentos
Turnover (%) = desligamentos ÷ efetivo médio × 100
Essa é a fórmula usada como padrão pela SHRM, a maior associação de profissionais de RH do mundo: número de desligamentos no período dividido pelo número médio de colaboradores no mesmo período, vezes 100.
Ela é mais honesta para falar de retenção, custo e comparação com o mercado. Não importa quanto você contratou. Importa quanta gente saiu do time.
Qual das duas usar
Use a fórmula de desligamentos como número oficial da empresa. Use a fórmula da média como indicador de esforço operacional do RH, se isso for útil para você. O que não pode é trocar de fórmula no meio do ano e comparar março com setembro usando contas diferentes.
Como calcular o efetivo médio
O denominador é onde mora a maior parte dos erros. Efetivo médio não é o headcount de hoje.
A conta mínima aceitável é esta:
Efetivo médio = (efetivo no primeiro dia do período + efetivo no último dia do período) ÷ 2
Se o seu sistema de folha permite, faça melhor: use a média dos fechamentos semanais ou dos headcounts diários. Em operação com sazonalidade forte, como varejo em dezembro ou indústria em safra, a média de dois pontos distorce bastante.
Antes de calcular, decida três coisas e registre:
- Quem entra no efetivo: CLT ativos, afastados por INSS, aprendizes, estagiários, temporários. Não existe resposta única, existe critério documentado.
- Se você inclui um grupo no denominador, precisa incluir as saídas desse grupo no numerador. Contar temporário no efetivo e não contar a saída dele derruba o índice de mentira.
- Se o mesmo grupo entra e sai muito por natureza do contrato, calcule o índice separado. Temporário de fim de ano misturado com efetivo estraga a leitura dos dois.
Exemplo passo a passo com uma empresa de porte médio
Os números abaixo são um exemplo ilustrativo, criado para explicar a conta. Não são dados de mercado.
Imagine uma rede com seis lojas e um centro de distribuição. Em março, os dados foram estes:
- Efetivo em 1º de março: 312 pessoas
- Efetivo em 31 de março: 318 pessoas
- Admissões no mês: 24
- Desligamentos no mês: 18
Confira a consistência antes de qualquer coisa: 312 + 24 - 18 = 318. Bateu. Se não bater, o problema está no cadastro, não na fórmula.
Passo 1: efetivo médio
(312 + 318) ÷ 2 = 315 pessoas
Passo 2: fórmula da média
(24 + 18) ÷ 2 = 21 21 ÷ 315 = 0,0667 0,0667 × 100 = 6,67% no mês
Passo 3: fórmula de desligamentos
18 ÷ 315 = 0,0571 0,0571 × 100 = 5,71% no mês
Passo 4: leitura
Quase um ponto percentual de diferença no mesmo mês, com os mesmos dados. Isso não é erro, é escolha de metodologia. E é exatamente por isso que empresa nenhuma consegue se comparar com outra sem saber qual conta o outro lado usou.
Se você quiser rodar o cálculo com os seus números agora, use a calculadora de turnover do Código do Turnover. Ela faz as duas contas e mostra o efetivo médio.
O mesmo mês calculado pelas duas fórmulas
| Item | Fórmula da média | Fórmula de desligamentos |
|---|---|---|
| Numerador | (24 + 18) ÷ 2 = 21 | 18 |
| Denominador | 315 | 315 |
| Conta | 21 ÷ 315 × 100 | 18 ÷ 315 × 100 |
| Resultado do mês | 6,67% | 5,71% |
| O que mede | Giro total do quadro | Perda de pessoas |
| Efeito do crescimento | Infla o índice | Não altera o índice |
| Melhor uso | Carga operacional do RH | Retenção, custo e benchmark |
Como anualizar o turnover mensal sem exagerar o número
Multiplicar o índice do mês por 12 é o atalho mais usado e o que mais gera número irreal. No exemplo acima, 5,71% × 12 dá 68,6% ao ano. Parece catástrofe, mas esse número só seria verdade se todos os 12 meses fossem idênticos a março.
Três problemas com o atalho:
- Ele assume que março representa o ano inteiro. Em operação sazonal, isso nunca acontece.
- Ele soma vagas giradas, não pessoas perdidas. A mesma vaga pode girar quatro vezes no ano e inflar o total sem que quatro pessoas diferentes do seu time original tenham saído.
- Um mês atípico, como uma dispensa coletiva ou o fim de um contrato temporário, vira o ano inteiro na projeção.
Se você precisa de uma projeção anual a partir de um mês, use a conta de composição, que responde outra pergunta: que fatia do time de hoje teria saído em 12 meses.
Turnover anual projetado = [1 - (1 - taxa mensal)^12] × 100
Com 5,71% ao mês: 1 - (1 - 0,0571)^12 = 0,5064, ou seja, 50,6%.
Agora suponha que essa mesma empresa fechou o ano real com 168 desligamentos, 186 admissões e efetivo médio anual de 315 pessoas. O índice de verdade é 168 ÷ 315 × 100 = 53,3%.
| Método | Conta | Resultado | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Mês × 12 | 5,71 × 12 | 68,6% | Nunca como número oficial |
| Composição | 1 - (1 - 0,0571)^12 | 50,6% | Projeção rápida a partir de um mês |
| 12 meses reais (desligamentos) | 168 ÷ 315 | 53,3% | Número oficial da empresa |
| 12 meses reais (média) | [(186 + 168) ÷ 2] ÷ 315 | 56,2% | Comparação com histórico feito pela média |
Turnover mensal multiplicado por 12 é projeção, não medição. Quem apresenta projeção como resultado acaba defendendo um número que a própria folha de pagamento desmente.
Com o número anual fechado, a pergunta seguinte é se ele é alto ou normal para o seu setor.
Turnover geral, por área, por gestor e por tempo de casa
O índice geral serve para uma coisa só: saber se você tem um problema. Ele não diz onde está o problema. Para isso você precisa dos recortes, todos calculados com a mesma fórmula e o mesmo período.
Por área
Aplique a fórmula usando o efetivo médio e os desligamentos de cada área. Continuando o exemplo ilustrativo, com os 168 desligamentos do ano distribuídos assim:
| Área | Efetivo médio | Desligamentos no ano | Turnover anual |
|---|---|---|---|
| Operação de loja | 190 | 118 | 62,1% |
| Logística e estoque | 60 | 33 | 55,0% |
| Administrativo | 45 | 11 | 24,4% |
| Liderança | 20 | 6 | 30,0% |
| Total | 315 | 168 | 53,3% |
O índice geral de 53,3% escondia uma operação de loja em 62,1% e um administrativo em 24,4%. São duas empresas dentro da mesma empresa, e cada uma pede uma ação diferente.
Por gestor
A conta é a mesma, aplicada ao time de cada líder. É o recorte que mais incomoda e o que mais explica. Só tome um cuidado: em time pequeno, o percentual engana. Um desligamento num time de quatro pessoas dá 25%. Sempre mostre o número absoluto ao lado do percentual quando o time tiver menos de 15 pessoas, e acompanhe a média de 12 meses, não o mês isolado.
Por tempo de casa
Esse é o recorte mais revelador e o menos usado. Separe os desligamentos por faixa: até 30 dias, de 31 a 90 dias, de 91 a 180 dias, de 181 a 365 dias e acima de um ano.
No exemplo, 96 dos 168 desligamentos aconteceram antes dos 90 dias de casa, ou 57,1% do total. Quando a saída se concentra nos primeiros meses, o problema quase nunca é salário. É promessa errada na seleção, integração inexistente ou liderança direta despreparada. Os recortes por tipo de saída também mudam a leitura, e isso está explicado em tipos de turnover e em causas do turnover.
Erros comuns no cálculo de turnover
1. Contar transferência interna como desligamento. Quem saiu da loja 3 e foi para a loja 7 não saiu da empresa. Se o seu sistema gera um movimento de saída e um de entrada, filtre. Esse erro sozinho pode dobrar o índice de uma rede.
2. Ignorar ou incluir temporários sem critério. Contrato de safra, temporário de dezembro e aprendiz têm ciclo previsto de saída. Ou você tira do cálculo e avisa, ou calcula em separado. Misturar sem dizer é o mesmo que não medir.
3. Misturar períodos. Desligamentos de 12 meses divididos pelo efetivo médio de um mês. Ou desligamentos do mês divididos pelo efetivo médio do ano. Numerador e denominador precisam falar do mesmo período.
4. Usar headcount de um dia só. O denominador precisa ser o efetivo médio do período, não a foto de uma data.
5. Trocar de fórmula no meio do caminho. O índice cai de 8% para 6% e a diretoria comemora, mas o que mudou foi a conta. Registre a fórmula e a data de qualquer mudança de metodologia.
6. Somar tudo como se fosse igual. Morte, aposentadoria, fim de contrato de experiência por decisão da empresa e pedido de demissão são realidades diferentes. Some no índice geral se quiser, mas mantenha o detalhe para poder agir.
7. Parar no percentual. O percentual não paga conta. Converta em dinheiro para conseguir prioridade dentro da empresa, do jeito explicado em quanto custa o turnover.
Checklist antes de fechar o número do mês
- A fórmula usada está escrita e é a mesma do mês anterior
- O período do numerador e do denominador é idêntico
- O efetivo médio foi calculado com pelo menos dois pontos no tempo
- Transferências internas foram removidas dos desligamentos
- Temporários, aprendizes e estagiários seguem o critério definido
- A conta de consistência bateu: efetivo inicial + admissões - desligamentos = efetivo final
- O índice foi aberto por área, por gestor e por tempo de casa
- Times com menos de 15 pessoas aparecem com número absoluto ao lado do percentual
- O número anual veio de 12 meses reais, não de um mês multiplicado por 12
De onde vêm os números de referência do mercado
Para comparar o seu índice com algo externo, use fonte primária. O Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, publica todo mês o volume de admissões e desligamentos com carteira assinada no país. Em maio de 2026, por exemplo, foram 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos, com saldo de 72.960 postos e estoque de 47.877.989 vínculos formais.
Esse dado é do mercado inteiro, não da sua empresa, mas serve para dois usos: entender o movimento do seu setor e checar se a sua dificuldade de contratar é local ou geral.
Já as pesquisas que perguntam o índice direto às empresas não uniformizam a fórmula de cada respondente, o que reforça o ponto central deste guia: comparação só vale quando a conta é a mesma. As faixas de leitura e os números por setor estão em qual é o índice de turnover ideal.
O que fazer depois de ter o número
Calcular é a parte fácil. O trabalho começa quando você olha o índice por gestor e por tempo de casa e precisa decidir o que muda na segunda-feira. Os caminhos práticos estão em como reduzir o turnover.
E se você quer discutir esses números com outros donos de empresa e diretores que enfrentam o mesmo problema, conheça os eventos do movimento Código do Turnover.
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula correta de turnover?
As duas são válidas. A fórmula da média, [(admissões + desligamentos) ÷ 2] ÷ efetivo médio × 100, mede o giro total do quadro. A fórmula de desligamentos, desligamentos ÷ efetivo médio × 100, mede perda de pessoas e é o padrão internacional. Escolha uma como oficial e mantenha.
Como calcular o turnover mensal?
Pegue os desligamentos do mês, divida pelo efetivo médio do mesmo mês e multiplique por 100. O efetivo médio é a soma do headcount do primeiro dia com o do último dia, dividida por 2. Nunca use o headcount de um único dia como denominador.
Posso multiplicar o turnover mensal por 12 para achar o anual?
Não como número oficial. Multiplicar por 12 assume que todos os meses são iguais e infla o resultado. Se precisar de uma projeção, use a conta de composição, 1 - (1 - taxa mensal) elevado a 12. O ideal é somar 12 meses reais de desligamentos e dividir pelo efetivo médio do ano.
Transferência interna entra no cálculo do turnover?
Não. Quem mudou de loja, de área ou de filial continua na empresa. Se o sistema de folha registra isso como um desligamento seguido de uma admissão, o filtro precisa ser feito antes do cálculo, senão o índice fica inflado sem motivo.
Devo incluir temporários e aprendizes no cálculo?
Depende do seu objetivo, mas o critério precisa estar escrito. Se você inclui esses grupos no efetivo médio, inclua também as saídas deles. O mais útil na prática é calcular o índice do quadro efetivo separado do índice dos contratos com prazo definido.
Como calcular o turnover por gestor sem ser injusto com time pequeno?
Use a mesma fórmula, mas apresente sempre o número absoluto de saídas ao lado do percentual e trabalhe com a média dos últimos 12 meses. Em times com menos de 15 pessoas, um único desligamento distorce muito o percentual do mês.
Qual índice de turnover é considerado alto?
Não existe número universal, porque a referência muda por setor, por porte e por região. Varejo e alimentação convivem com índices bem maiores que indústria pesada ou serviços técnicos. O caminho é comparar com o seu próprio histórico e com o seu setor antes de comparar com uma média geral.

Marcos Dantas
Idealizador do movimento Código do TurnoverReceba os próximos conteúdos
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